sexta-feira, 20 de março de 2009


Em baixa

A queda na venda de jornais mudou a cara das bancas em São Paulo


As bancas de jornal mudaram. Antes o carro-chefe era o jornal, com as vendas em baixa, os jornaleiros tiveram que buscar saída em outros produtos. No livro “A arte de fazer um jornal diário”, de Ricardo Noblat, há uma citação de Dick Brass, vice-presidente de desenvolvimento tecnológico da Microsoft, dizendo que os jornais podem desaparecer até 2018. Para o dono da banca Belas Artes, Nessim da Silva , que está com o ponto na Avenida Paulista, há dez anos e é jornaleiro há trinta,” os jornais não irão acabar, pois eles ainda são de qualidade e não é culpa dos jornalistas a queda nas vendas.”
Segundo ele, “Seus grandes concorrentes são a assinatura de jornais e a internet”, e complementa: “O cliente não vai deixar de receber o jornal em casa para comprar na banca, sendo que sai até mais caro, e a internet possui a rapidez de postar as notícias em tempo real”. Por outro lado o grande diferencial do jornal para os outros meios de comunicação como o rádio, a televisão e a internet é a apuração mais elaborada da notícia, pois muitos leitores gostam de saber os fatos integralmente e não somente um resumo do que ocorreu. Um exemplo disso são os clientes que compram regularmente na banca, geralmente são pessoas com idade entre 25 a 30 anos, a maioria advogados, bancários, estudantes universitários, entretanto os mais jovens procuram o jornal Lance!.
Perguntei para alguns leitores jovens porque eles sempre compram o jornal Lance!,”Eu gosto de ler (o Lance!), pois adoro esportes e principalmente futebol e o diário é um complemento a mais neste assunto, devido à diversidade de informações sobre todos os tipos de esportes”, afirma o estudante Fábio dos Santos. Já o estudante de logística, André Rodrigues gosta de ler o jornal, pois ele traz informações detalhadas de seu time e de outros times do Brasil e do mundo.
Na banca Bruno, o gerente Valdecir Fernandes, disse que os jornais são apenas um atrativo. Para ele na mídia impressa, as revistas semanais como a Veja ou a Época ainda vendem bem, e o lucro com as vendas das revistas é maior do que com as vendas dos jornais. “Hoje o lucro que gira em minha banca fica em 30% de revistas, 10% de jornais e 60% de outros produtos, como cigarro, doces e dvds, e a sobrevivência da banca depende exclusivamente da venda destes produtos.”
Para os donos das bancas, os jornais não irão acabar, as vendas podem até ter uma queda maior, porém se vier a acabar, não afetará seus lucros, e as bancas poderão se manter com outros produtos, como já fazem.


Hery Jacks

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